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Embora de conteúdo jurídico, este blog tem a pretensão de abrir o debate sobre questões relacionadas à família, aos relacionamentos, em qualquer de suas configurações, e, para isso, quero contar com a participação de todos, independentemente de arte, ofício ou profissão; ideologias ou credos; afinal, é do diálogo plural e democrático que nascem as idéias e valores que, de alguma maneira, hão de dar os contornos à sociedade que desejamos.

Bem-vindos!


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Modo de usar




Eu, Modo de Usar:

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

2007/10/01 enviada por WebMaster

Autoria de Martha Medeiros
Mensagens de Crônicas e Textos

Fonte: www.dejovu.com
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Adoro as reflexões da jornalista Martha Medeiros. Aprecio a sua forma de escrever, a fluidez e coerência de seus textos, sua capacidade de, economicamente, traduzir idéias e provocar reflexão.

Relendo alguns de seus textos, escolhi este que traduz - ao que tudo indica - o sentimento universal daquilo que esperamos do outro. Não conheço ninguém que após a leitura desse artigo, com sorriso estampado, não tenha dito: - Esse(a) sou eu!!! É exatamente assim que tem que ser comigo.

Sem fugir à regra, pensei e exclamei a mesma coisa, até me dar conta que a parceira idealizada teria exatamente a mesma expectativa em relação a mim.

Como resolver isso? Mais, seríamos mesmo capazes de dominar o "timing" das ações sugeridas; conseguíriamos ser delicados, na medida exigida, no momento certo; ou impulsivos, nas mesmas condições?

Enfim, me parece simples descrever em minha bula o que quero do outro; o que se afigura como desafio é concatenar e fazer funcionar um relacionamento em que as bulas individuais sejam respeitadas.

Não sei a resposta, mas, suponho que tolerância aliada à intimidade, seja um bom indicador de sucesso. Experimentar amar, acredito, passa necessariamente por essa via.

Questões como essa e tantas outras relativas à investigação da natureza humana, deveriam fazer parte da grade curricular das escolas. Estou certo que esvaziaríamos os fóruns e teríamos cada vez menos relações paralelas, aquelas em que parceiros convivem, lado a lado, e jamais se comunicam, exceto pela ilusão de ótica de que paralelas se tocam no infinito.

RMG

6 comentários:

  1. (Lembrando sempre e em primeiro lugar que "Amar se aprende amando").

    Por que as coisas simples tem que ser tão complicadas? Desconfio que é porque, como você bem disse, é difícil combinar o "timing" dos desejos. E nem sempre nossas vontades obedecessem à nossa vontade. Aliás, quase nunca, infelizmente.

    Por fim, se tenho um modelo de relação ideal, está bem próxima do texto abaixo:

    “(...) um jogo de adultos, entre adultos, em um terreno bem diferente, em outra escala temporal, uma de tempo contínuo em lugar de estático. Um jogo a construir, um jogo profundo entre gente disposta a reconhecer-se entre si, a aventurar-se, a desnudar as almas, a experimentar viver a fundo. Um jogo maravilhoso, único. Difícil encontrar a contrapartida. Muitos nunca a encontram. Encontram substitutos. Personagens semelhantes, mas sem gosto nem sabor.”

    (extraído do livro Diferentes formas de amar, de Susana Balán).

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  2. RMG,

    Parece-me que o "amor maduro", como você tão bem escolheu classificar, não é para qualquer um. Será mesmo que saberíamos reconhecer a dádiva de ter alguém que nos ame como somos? Como disse o comentário acima, isso é para adultos. Adultos que abram mão da manipulação do outro, e de se deixar manipular.
    É preciso estar inteiro para aceitar a segurança do amor, ao invés do desafio das paixões.

    Por isso, desconfio que poucos saberiam reconhecer a pessoa que nos soubesse ler a bula. Ou talvez, reconhecendo, não achasse, no fim das contas, tão estimulante assim.

    "Cuidado com o que pedes aos deuses, eles podem lhe conceder".

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  3. AMA e Marina,

    Não saberia como agradecer a contibuição de vocês a repeito de um tema que não desperta atenção entre pais e educadores. Em momento em que vivemos a didática do amor romântico e do amor erótico, é, realmente, difícil, falar em amor maduro.

    A estética do amor que somos obrigados a consumir cotidianamente, de fato, nos induz a uma compreensão equivocada do que seja amor e, mais do que isso, do amor em sua diversidade.

    O amor se desdobra em muitas facetas: amor maduro; amor fraterno; amor paterno e materno; amor divino; enfim, o amor não se esgota em uma única forma, caso contrário não seria amor.

    O amor, portanto, não é, ao invés do que se extrai do amor romântico, "uma consequência natural" do que sentimos, ou achamos que sentimos, mas, uma obra, antes de tudo, a ser compreendida, para, em seguida, ser edificada.

    Tivéssemos essa compreensão, seguramente, esvaziaríamos divãs e fóruns.

    RMG

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  4. Eu até aplaudo a idéia do amor maduro, do sentimento adulto, com cabeça de gente grande. Juro que apoio esta causa!

    Tentei encontrar a todo custo, nos lugares mais cultos, misturados a um público exigente e aficionados pelo tal de amor.

    Pensei que devesse ser um problema meu: ótico, psicológico, gangrenado (desesperança extrema!), pois só achava um amor brincalhão, um amor pra hoje, um amor aos pouquinhos. E nada do bendito maduro.

    Hoje me conformo apenas em procurar encontrar em mim um sentimento assim. Deixei de buscar no outro. Prefiro ser a ter e agonizar com a frustração de não encontrá-lo. EU quero ser achada assim, pronto. Quero que meu alguém, como eu, esteja preocupado com ele e não com o caminho de me achar. Se assim o for, já me dou por satisfeita.

    Ah, e não podia de deixar meu nome na lista dos que disseram: sim, Martha Medeiros, essa sou eu!! Adoro este texto. Já li umas dez vezes e sempre tenho novas sensações.

    E amigo, post sempre assim...Sobre o amor! rsrsrs (sou suspeita!)

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  5. Oi,

    Tudo bem?
    Acho que esse artigo vai te interessar. Não sei colar link direito, se não conseguir, é uma matéria que saiu no uol, em ciências e saúde, pesquisadores tentam descobrir porque uns são fiéis e outros, não.

    http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/05/24/pesquisadores-tentam-descobrir-por-que-uns-sao-fieis-e-outros-nao.jhtm

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  6. Quem dera tivéssemos a didática do amor nas escolas...
    A idéia de esvaziar fóruns e divâs é maravilhosa. Precisaríamos incluir nas matérias de escola o amar a si mesmo, para que pudéssemos, amando-nos, aprender a amar o outro. Mas amar a si mesmo deve ser uma matéria de muito difícil assimilação, porque há os que se amam tanto que se acham uma dádiva para poucos, e assim não conseguem amar o outro. E os que se amam tão pouco que acham que não merecem ser amados. No fim das contas, só o amor divino por nós pode tirar as dúvidas, curar feridas e levar-nos ao amor maduro. Adorei a postagem!

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